E o que não falta a mim são remédios.
Estes, sobram por aí, nas prateleiras das farmácias, nas mãos de especialistas e nas cabeças daqueles que se consideram entendidos.
Sinto dor.
E o que não falta no mundo é quem não a sinta.
E, a dor que sentimos é sempre, por mais que se procure e que se sonde, algo que ninguém sabe descrever exatamente como é.
Vivo a dor.
E quem nesta terra se diz imune à dor?
Por tudo que sei, e dos curtos anos que vivi, descobri que a dor é algo muito, MUITO pessoal.
Mas, como costumava citar alguém que considero muito sábio: "Às favas".
Dor sua? Ah, meu filho, é MUITO sua.
Viver as dores dos outros? Isso é balela. Não, não existe. Daquilo que é alheio ninguém sabe.
Egocentrismo? Vitimismo? Ok, com licença, desculpe-me.
Apenas desenhei a teia que me enreda, que me veda e que me limita.
Fundo dos fundos, eu sempre escolhi onde queria ser atingido.
E era na cabeça. No crânio. Na fonte.
Onde podem matar minhas idéias. Onde podem silenciar o que sou.
E, do alto do trono, onde julgamos ver tudo que nos interessa, algo acontece.
Algo vem, e nos bagunça.
O mundo vem a tremer, sacode, e nos surpreende.
Onde depositei o que me era mais sagrado?
Onde estarão as coisas que mais prezei? Onde estão aqueles em que confiei?
Quem começou calado, um dia terá de falar.
O momento da defesa chega. E o que você sabe sobre se defender?
Na verdade, QUEM É que sabe sobre isso?
Será que sabem os paranóicos, que vêem em cada sombra um motivo para se resignar?
Ou sabem os loucos, que julgam em cada pessoa uma visão daquilo que eles não o são?
Ou os agressivos, que degladiam-se por qualquer motivo, vivendo como animais?
E, mesmo se estes que soubessem, QUÊ ouvidos lhes seriam dados?
É incrível. Incrível é, como tecemos críticas sobre o que acontece conosco, e também a nossos pares e semelhantes. Mas como é difícil, muito difícil, nos definir claramente a partir de nossas opniões.
No entanto, apesar dos pesares, pagarei os meus respeitos aqui, àqueles que se fizeram sozinhos, por falta daquilo que o mundo os devia, e, mesmo assim, prosperaram, alavancaram-se acima das adversidades.
Parabéns.
E, como eu não creio em coincidências ou acasos...estejam certos, fiquem bem certos, estes.
A teia do destino afetará muito mais à vocês do que aos demais.
O chicote bate em todos. Mas acerta com mais força em quem se mexe mais.