sábado, 11 de julho de 2009

Bem, vou postar aqui um texto que vi no perfil do orkut de uma amiga da faculdade.
É uma bela reflexão sobre a busca que todos empreendemos, procurando a "pessoa certa" pra nós.
E, claro, não podia ser melhor, escrito por Luis Fernando Veríssimo. =)


A Pessoa Errada

Pensando bem
Em tudo o que a gente vê e vivencia
E ouve e pensa
Não existe uma pessoa certa para nós.
Existe uma pessoa
Que se você for parar para pensar
É, na verdade, a pessoa errada.
Porque a pessoa certa
Faz tudo certinho
Chega na hora certa,
Fala as coisas certas,
Faz as coisas certas,
Mas nem sempre a gente tá precisando das coisas certas.
Aí é a hora de procurar a pessoa errada.
A pessoa errada te faz perder a cabeça
Fazer loucuras
Perder a hora
Morrer de amor
A pessoa errada vai ficar um dia sem te procurar
Que é para na hora que vocês se encontrarem
A entrega ser muito mais verdadeira...
A pessoa errada é, na verdade, aquilo que a gente chama de pessoa certa
Essa pessoa vai te fazer chorar
Mas uma hora depois vai estar enxugando suas lágrimas
Essa pessoa vai tirar seu sono
Mas vai te dar em troca uma noite de amor inesquecível
Essa pessoa talvez te magoe
E depois te enche de mimos pedindo seu perdão
Essa pessoa pode não estar 100% do tempo ao seu lado
Mas vai estar 100% da vida dela esperando você
Vai estar o tempo todo pensando em você.
A pessoa errada tem que aparecer para todo mundo
Porque a vida não é certa
Nada aqui é certo
O que é certo mesmo é que temos que viver
Cada momento
Cada segundo
Amando, sorrindo, chorando, emocionando, pensando, agindo,
querendo,conseguindo
E só assim.
É possível chegar àquele momento do dia
Em que a gente diz: "Graças à Deus deu tudo certo"
Quando na verdade
Tudo o que ele quer
É que a gente encontre a pessoa errada
Para que as coisas comecem a realmente funcionar direito para nós...

(Luis Fernando Veríssimo)

segunda-feira, 6 de julho de 2009

O preço da paz

O vento soprava forte no alto da colina. O jovem pupilo bloqueia um ataque em giro de seu mestre, com alguma hesitação. Percebendo sua falta de firmeza, o mestre rapidamente dá um passo adiante, empurrando-o com força, lâmina contra lâmina, e desequilibra seu aluno, que desaba de costas naquele solo, já parco de grama, devido aos treinos duros e diários sobre o topo do monte. Seu pupilo ergue-se rapidamente, embaraçado por ter se deixado cair tão fácil. No campo de batalha, tombar-se significa desvantagem evidente, e desvantagem significa morte.

O jovem limpa o suor do rosto com a manga do kimono. Depois ergue a espada com as duas mãos juntas ao ombro e retoma a posição de combate aprendida. Avança então, cautelosamente em direção ao mestre, que o espreita com os olhos fendidos, apertados, avaliando cada leve movimento. Os dois giram num circulo largo e invisível, como que engajados numa dança, uma dança de morte.

Enquanto escolhia o instante de seu ataque, o pupilo compreende o ardil de seu mentor: o sol poente, ainda a duas horas de ocultar-se no horizonte, fere sua visão, atordoando-o por uma mínima fração de segundo. A lâmina pára a exatos dois centímetros do cabelo do jovem, sobre a têmpora esquerda, num golpe preciso e que seria, indubitavelmente, fatal.

- Numa batalha, um guerreiro sábio deve escolher e preparar seu terreno de luta - suspira o mestre, batendo por fim a espada de lado na cabeça de seu aprendiz. O jovem solta um gemido, esfregando a pancada na cabeça. - E se eu não puder escolher nem preparar o terreno? - indaga o jovem. - Use o que estiver a sua mão - responde o velho homem, apontando os dois dedos para os olhos do aluno, que lembra do sol e entende a lição. Reverenciam-se, retomam as posições e o treino prossegue por mais um pouco, até o fim do crepúsculo.

Mais tarde, após a refeição noturna, o mestre convida o pupilo a caminhar um pouco pelo jardim de sua casa. Os dois caminham em silêncio por alguns minutos. Por fim, o jovem faz uma pergunta ao velho: - Sensei, perdoe minha ignorância, mas eu não consigo compreender. Não compreendo como homens que são capazes aprender a arte de forjar e reforjar uma espada meia centena de vezes, até que ela fique dura como a rocha e afiada como a garra do falcão, não sejam capazes de aprender a empreender a paz.

O mestre silencia seus movimentos, contemplando longamente seu discípulo e destilando a sabedoria contida em suas jovens palavras. Então diz: - Você tem toda a razão, meu filho. Talvez nós homens tenhamos nos atido demais à nossa própria beligerância, ao nosso instinto primitivo. Aprendemos e aprimoramos primeiro a arte da guerra e da morte, antes de compreender o que é a arte da diplomacia e da aliança. Mas isto não significa que não sejamos capazes de realizar a paz. Digo-te apenas que, nestes tempos difíceis, tudo tem um preço - inclusive, a própria paz.

- Quer dizer que a paz tem um preço? - confunde-se o pupilo. - E qual é o preço da paz, Sensei?

Por fim, o Sensei responde: - A paz poderia ser dura como o aço da espada, se tivesse sido sempre reforjada pelos homens. No entanto, a espada é quem foi escolhida e reforjada, e é por isso, por quê a espada tornou-se mais forte e comum é que a paz é tão rara e tem seu preço, e este preço será pago com espada. Então, nunca se esqueça disso, meu filho, nunca se esqueça que o preço do homem pela sua paz será sempre a sua eterna vigilância.