domingo, 28 de março de 2010

O Outro e o Eu.

Aloha e Rock'n'Roll.

O que retrato neste post é matéria que creio tocar a todos, e que, num aspecto mais amplo, representa a importância da plena percepção de si mesmo. Os créditos pela inspiração deste texto vão diretamente para a cervejaria Brahma (InBev), ao projeto musical "Hear n' Aid", realizado nos anos 80, e aos anônimos citados nos diversos momentos do texto.

[Aos letrados e pseudoletrados: advirto com veemência que não concordo com o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, vigente desde 2009. E, como sempre, coloquialismo está na minha veia. Não gostou? V-A-Z-A. (Apesar que, tenho certeza, eu ouviria alguns "ufa" por esta declaração!)]

O assunto deste monólogo é mera e simples tentativa de compreender como se realiza a percepção do self , o dito Eu (com É maiúsculo), e como este só se faz perceber e se oportuniza através da interação com o Outro (Com Ó maiúsculo), seu próximo, e nos leva a percepção real daquilo que chamamos de Nós Mesmos.

[Fim da terminologia.]

Há alguns dias atrás, bebendo com um amigo, percebi a declarada necessidade que possuímos de conversar. O ato da comunicação em linguagem codificada por enquanto é mérito único da espécie humana. No entanto, o porquê desta necessidade de se comunicar é fracamente compreendido, enquanto os teóricos trabalham baseados em vieses dos seus tataravós da academia, e enquanto ainda não observam suas matérias de maneira mais prática. Enfim, o grande insight deste papo com meu brother foi este: pude entender o quanto a presença do Outro nos define enquanto Eu. E que a opnião, opção, juízo ou razão de sermos só faz sentido em contraponto ao que nos transcende. A Igreja Católica Apostólica Romana entendeu claramente (e utilizou em muitas vias e para autobenefício) esta necessidade do ser humano de falar com o Outro, quando criou o dito sacramento da "Reconciliação" (a tão sagrada"confissão", para os beatos de TV Globo, domingo de manhã).

Então, nos incomoda saber o seguinte: o quanto outro nos torna conscientes de quem realmente somos? Melhor: o que nos traz a percepção de quem realmente somos? Nice question, grasshopper.

Li um texto interessante uma vez, um estudo sobre a reação humana. A hipótese era: suponhamos que se pudesse pegar um feto, no ventre materno, e isolá-lo de qualquer contato e percepção do que lhe é externo, e que, quando nascesse, esta condição continuasse lhe sendo imposta. Sem contato, sem percepção, sem alteração. O que sucederia? A derivada foi: perceberia tanto quanto uma pedra percebe. Nada e mais nada. Ele nasceria cego (por não conhecer a luz) e surdo (por não ouvir som algum). Não sentiria calor nem frio, nem dor nem prazer, e nem seria inteligente. Por quê? Oras, por que tudo que julgamos enquanto percepção e conhecimento são meramente reações aos eventos que nos surgem, oriundos de um ambiente externo. Definimos nossa razão de existir pelo que existe ao nosso redor, seja através de aceitação ou rejeição ao que nos é oferecido. Já pararam para analisar que, todos aqueles que historicamente consideramos como gênios, sábios e iluminados de todas as eras trouxeram até nós experiências que correspondiam claramente mais à ação consciente do que à reação inconsciente?

Tá, tá, concordo. Impossível realizar esse tal experimento do feto, e tem outras implicações também. Mas, enquanto experimento mental, nos clarifica totalmente. Somos, em parcela esmagadora de nossa personalidade, meros reflexos e reações a atores externos ao nosso inner, nosso interior, nosso Eu.

Somos altamente reflexivos e também inflexíveis. Dê a alguém a oportunidade de expressar sua opnião sobre um assunto. E saiba que, se esta pessoa possui um juízo formado sobre a matéria em questão, depois de uma discussão a dita opnião sairá deveras fortalecida. Experimenta sacanear o time alheio, pra você ver.

Contudo, o aprofundamento desta inegável necessidade de precisar do próximo para nos definir eu vos arremato agora, com outro relato. Num táxi, voltando para casa esta noite, entabolei um diálogo com o taxista. Eu pude perceber claramente a reação de alívio e autoafirmação desta pessoa, ao poder contar para um desconhecido algumas situações pessoais. Pergunta: que papel representei naquele táxi? Resposta: o papel do Outro. E quem representava o taxista? Naquele instante representava o Eu, e só poderia representá-lo pelo fato de minha estada ali, naquela viagem, naquele momento.

A percepção de quem somos só se justifica dentro deste binômio "Eu-Outro". E enquanto se mantiver referencial, binomial: é necessário que existam no mínimo dois pontos de vista diferentes, para que se inferencie um valor válido, quantificável e substancial, sobre aquilo que seja uma matéria, objeto ou juízo. A diferença entre estes juízos é que confirma sua própria existência. Tem-se então a razão definida do Eu e do Outro. Portanto as equações matemáticas do "saber quem somos" só se validam quando os dois extremos existem, o Outro e o Eu.

E, plagiando a matemática novamente, estas equações só encontram seu equilíbrio quando o Eu assume a responsabilidade pelo Outro. E vice-versa.

Mas esta responsabilidade é um assunto para outro post.

Até.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Silêncio

Passei os últimos meses no mais absoluto silêncio literário, enquanto que no dia-a-dia minha boca se mexeu bastante. Ultimamente tenho falado tanto que às vezes falo até sozinho.

Ah, estava simplesmente sem saco pra escrever.

Well, I'm coming back from exile. Dentro da minha cabeça (principalmente depois deste último carnaval) agora não tem mais silêncio.

Fica o eco de um clique. Parece que alguma coisa abriu aqui dentro e não dá mais pra fechar.

Tive a idéia de um texto novo esses dias, vou tentar escrever aqui, agora.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Sobre a dor.

Tenho dor.
E o que não falta a mim são remédios.
Estes, sobram por aí, nas prateleiras das farmácias, nas mãos de especialistas e nas cabeças daqueles que se consideram entendidos.

Sinto dor.
E o que não falta no mundo é quem não a sinta.
E, a dor que sentimos é sempre, por mais que se procure e que se sonde, algo que ninguém sabe descrever exatamente como é.

Vivo a dor.
E quem nesta terra se diz imune à dor?
Por tudo que sei, e dos curtos anos que vivi, descobri que a dor é algo muito, MUITO pessoal.
Mas, como costumava citar alguém que considero muito sábio: "Às favas".

Dor sua? Ah, meu filho, é MUITO sua.

Viver as dores dos outros? Isso é balela. Não, não existe. Daquilo que é alheio ninguém sabe.

Egocentrismo? Vitimismo? Ok, com licença, desculpe-me.
Apenas desenhei a teia que me enreda, que me veda e que me limita.
Fundo dos fundos, eu sempre escolhi onde queria ser atingido.
E era na cabeça. No crânio. Na fonte.

Onde podem matar minhas idéias. Onde podem silenciar o que sou.

E, do alto do trono, onde julgamos ver tudo que nos interessa, algo acontece.
Algo vem, e nos bagunça.
O mundo vem a tremer, sacode, e nos surpreende.
Onde depositei o que me era mais sagrado?
Onde estarão as coisas que mais prezei? Onde estão aqueles em que confiei?

Quem começou calado, um dia terá de falar.
O momento da defesa chega. E o que você sabe sobre se defender?

Na verdade, QUEM É que sabe sobre isso?

Será que sabem os paranóicos, que vêem em cada sombra um motivo para se resignar?
Ou sabem os loucos, que julgam em cada pessoa uma visão daquilo que eles não o são?
Ou os agressivos, que degladiam-se por qualquer motivo, vivendo como animais?

E, mesmo se estes que soubessem, QUÊ ouvidos lhes seriam dados?

É incrível. Incrível é, como tecemos críticas sobre o que acontece conosco, e também a nossos pares e semelhantes. Mas como é difícil, muito difícil, nos definir claramente a partir de nossas opniões.

No entanto, apesar dos pesares, pagarei os meus respeitos aqui, àqueles que se fizeram sozinhos, por falta daquilo que o mundo os devia, e, mesmo assim, prosperaram, alavancaram-se acima das adversidades.

Parabéns.

E, como eu não creio em coincidências ou acasos...estejam certos, fiquem bem certos, estes.

A teia do destino afetará muito mais à vocês do que aos demais.

O chicote bate em todos. Mas acerta com mais força em quem se mexe mais.

sábado, 12 de dezembro de 2009

E há verdade.

Hoje é uma noite estranha. Provavelmente, não pra você, mas pra mim é. Faz uns 4 dias não saio de casa, por conta de um "acidente". Pra não dizer que não saí, sai hoje, fui assistir um ensaio da banda de uns amigos (amanhã eles tocam no Rio, e estarei lá também), e consegui fugir pra tomar umas três cervejas com um grande amigo meu.

Às vezes, três cervejas bastam pra você captar coisas que passam despercebidas o tempo todo. E mais três cervejas em casa bastam, pra você realizar reflexões que normalmente não faz. "In vino veritas est", disse algum sábio anônimo, em Roma. A verdade está no vinho, e isso se aplica tanto pra verdade que vai pra fora, como pra que vem dentro.

Fui fumar um cigarro na varanda, e deparei-me cantarolando "Ouro de Tolo", música de Raul Seixas. Desconcertante, como certos versos fazem sentido:

"Eu devia estar contente
Por ter conseguido
Tudo o que eu quis
Mas confesso abestalhado
Que eu estou decepcionado...

Porque foi tão fácil conseguir
E agora eu me pergunto 'e daí?'
Eu tenho uma porção
De coisas grandes prá conquistar
E eu não posso ficar aí parado..."

É isso mesmo. Galgamos vales, montes, horizontes impossíveis, conquistamos coisas boas e grandes, nos vemos no topo do mundo, cutucamos a inveja de nossos próximos...pra depois relaxar, achando que a vida tem sido boa demais pra nós, e nós bons demais pra ela, e fim. Como sou preguiçoso, Deus! E em seguida, o que acontece? Tudo perde o sentido. Me pergunto quem mais escutou esses versos cantados por Raul, desta forma, como ouço agora.

Vou dizer pra vocês, com sinceridade. Realmente, foi FÁCIL, MUITO FÁCIL, tudo que veio até mim, nesta vida. E que vocês reprimam sua cobiça, ciume ou inveja. Não tenho vergonha nenhuma de assumir este fato. É simplesmente como tem sido, apenas. Grato sou, a Deus e ao Universo que me rodeia. Mas claro, como tudo sempre, o que recebemos tem os seus revezes. E estes eu garanto que vocês não gostariam de ter.

Pensando agora com uma clareza que só o álcool desinibe, existem poucas coisas que me esforcei com tudo pra ter. Na verdade, de todas, UMA delas me dá real orgulho, que é ter aprendido a cantar. É uma coisa que aprendi sem orientação de ninguém e desenvolvi por mero prazer. Nunca decidi ser o melhor nisto, mas pelo menos consegui cantar como sempre quis, as coisas que sempre quis. Não existe segredo pra nada nesta vida, mas todo mundo faz de conta que certas coisas são inalcançaveis. Eu não faço. Não sou o melhor, e nem serei. E também, e pouco me importa.

Voltando à musica de Raul, algumas estrofes mais a frente:

"Eu que não me sento
No trono de um apartamento
Com a boca escancarada
Cheia de dentes
Esperando a morte chegar...

Porque longe das cercas
Embandeiradas
Que separam quintais
No cume calmo
Do meu olho que vê
Assenta a sombra sonora
De um disco voador..."

A música toda tem tudo de autobiográfico, pra quem conhece a história de vida desse artista fabuloso. E estes trechos acima guardam em si muito do ocultismo envolvendo as músicas do Raul, pra quem sabe o que está sendo dito. E tem muito do que é real, neste mundo e na vida de todos. A primeira estrofe define claramente a indignação com a indiferença e a inação de tantas pessoas nesse mundo. A falta de consciência. De informação. A sujeição das pessoas, a conformação com o que ocorre. A indiferença pura.

Minha mãe (que é contemporânea de Raul Seixas), esta semana, teceu uns comentários sobre a personalidade públicamente conhecida do cantor. Ele era, definitivamente, uma pessoa que conseguia tudo o que queria. Não se sujeitava, muito menos se adequava, a conceitos que não correspondessem aos seus próprios. Talvez, por isso, neste trecho, ele critique tão fortemente, quem se acomoda, se abanca em cima de seu tesouro e esquece do mundo.

Diz ele também que as pessoas adquiriram a tendência de se isolar em "cercas embandeiradas que separam quintais". Todos definiram seus territórios, suas zonas eternas de conforto. Idiotice. Podem ter conquistado tudo, ter conquistado o mundo, mas tornaram-se tão vivas quanto rochas; monolitos históricos tão sólidos quanto um Stonehenge humano. De que servirão estas pedras amanhã, se ninguém sabe pra que elas servem hoje?

Para aqueles que tem "um olho que vê", serão percebidas as mudanças. Aquele "disco voador" do novo, que vem pousando, se delineiando no horizonte, pra nos desafiar. Que está ali, pra conhecer e mudar um novo mundo, nosso mundo, enquanto nos recusamos a olhar, simplesmente pelo fato de que temos medo de modificar nosso pequeno e particular universo pessoal.

Que este novo ano nos traga mudanças. Mudanças estas tão cabais que ninguém seja capaz de negar.

E que isto seja pra você. E para mim também.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Perto

Hoje.
Sonhei com você.
Voei esses quilômetros pra estar contigo, de alma.
Incrível como uma coisa tão simples como dormir
Pôde nos aproximar tanto.
E talvez, tenha feito isso, só pelo prazer da aventura.
Só pra estar mais perto.
Só, apenas.
Acho que cheguei perto demais, dessa vez.

Teus cabelos e teus lábios ainda roçam minha mente.
Se esfregam devagar, relando em meus pensamentos.
Muito suave, simplesmente isso.

Sonhos são portas que abrimos e que não fecham mais.
Agora, o que quero é te encontrar denovo,
Outra vez,
Depois da próxima porta.

sábado, 11 de julho de 2009

Bem, vou postar aqui um texto que vi no perfil do orkut de uma amiga da faculdade.
É uma bela reflexão sobre a busca que todos empreendemos, procurando a "pessoa certa" pra nós.
E, claro, não podia ser melhor, escrito por Luis Fernando Veríssimo. =)


A Pessoa Errada

Pensando bem
Em tudo o que a gente vê e vivencia
E ouve e pensa
Não existe uma pessoa certa para nós.
Existe uma pessoa
Que se você for parar para pensar
É, na verdade, a pessoa errada.
Porque a pessoa certa
Faz tudo certinho
Chega na hora certa,
Fala as coisas certas,
Faz as coisas certas,
Mas nem sempre a gente tá precisando das coisas certas.
Aí é a hora de procurar a pessoa errada.
A pessoa errada te faz perder a cabeça
Fazer loucuras
Perder a hora
Morrer de amor
A pessoa errada vai ficar um dia sem te procurar
Que é para na hora que vocês se encontrarem
A entrega ser muito mais verdadeira...
A pessoa errada é, na verdade, aquilo que a gente chama de pessoa certa
Essa pessoa vai te fazer chorar
Mas uma hora depois vai estar enxugando suas lágrimas
Essa pessoa vai tirar seu sono
Mas vai te dar em troca uma noite de amor inesquecível
Essa pessoa talvez te magoe
E depois te enche de mimos pedindo seu perdão
Essa pessoa pode não estar 100% do tempo ao seu lado
Mas vai estar 100% da vida dela esperando você
Vai estar o tempo todo pensando em você.
A pessoa errada tem que aparecer para todo mundo
Porque a vida não é certa
Nada aqui é certo
O que é certo mesmo é que temos que viver
Cada momento
Cada segundo
Amando, sorrindo, chorando, emocionando, pensando, agindo,
querendo,conseguindo
E só assim.
É possível chegar àquele momento do dia
Em que a gente diz: "Graças à Deus deu tudo certo"
Quando na verdade
Tudo o que ele quer
É que a gente encontre a pessoa errada
Para que as coisas comecem a realmente funcionar direito para nós...

(Luis Fernando Veríssimo)

segunda-feira, 6 de julho de 2009

O preço da paz

O vento soprava forte no alto da colina. O jovem pupilo bloqueia um ataque em giro de seu mestre, com alguma hesitação. Percebendo sua falta de firmeza, o mestre rapidamente dá um passo adiante, empurrando-o com força, lâmina contra lâmina, e desequilibra seu aluno, que desaba de costas naquele solo, já parco de grama, devido aos treinos duros e diários sobre o topo do monte. Seu pupilo ergue-se rapidamente, embaraçado por ter se deixado cair tão fácil. No campo de batalha, tombar-se significa desvantagem evidente, e desvantagem significa morte.

O jovem limpa o suor do rosto com a manga do kimono. Depois ergue a espada com as duas mãos juntas ao ombro e retoma a posição de combate aprendida. Avança então, cautelosamente em direção ao mestre, que o espreita com os olhos fendidos, apertados, avaliando cada leve movimento. Os dois giram num circulo largo e invisível, como que engajados numa dança, uma dança de morte.

Enquanto escolhia o instante de seu ataque, o pupilo compreende o ardil de seu mentor: o sol poente, ainda a duas horas de ocultar-se no horizonte, fere sua visão, atordoando-o por uma mínima fração de segundo. A lâmina pára a exatos dois centímetros do cabelo do jovem, sobre a têmpora esquerda, num golpe preciso e que seria, indubitavelmente, fatal.

- Numa batalha, um guerreiro sábio deve escolher e preparar seu terreno de luta - suspira o mestre, batendo por fim a espada de lado na cabeça de seu aprendiz. O jovem solta um gemido, esfregando a pancada na cabeça. - E se eu não puder escolher nem preparar o terreno? - indaga o jovem. - Use o que estiver a sua mão - responde o velho homem, apontando os dois dedos para os olhos do aluno, que lembra do sol e entende a lição. Reverenciam-se, retomam as posições e o treino prossegue por mais um pouco, até o fim do crepúsculo.

Mais tarde, após a refeição noturna, o mestre convida o pupilo a caminhar um pouco pelo jardim de sua casa. Os dois caminham em silêncio por alguns minutos. Por fim, o jovem faz uma pergunta ao velho: - Sensei, perdoe minha ignorância, mas eu não consigo compreender. Não compreendo como homens que são capazes aprender a arte de forjar e reforjar uma espada meia centena de vezes, até que ela fique dura como a rocha e afiada como a garra do falcão, não sejam capazes de aprender a empreender a paz.

O mestre silencia seus movimentos, contemplando longamente seu discípulo e destilando a sabedoria contida em suas jovens palavras. Então diz: - Você tem toda a razão, meu filho. Talvez nós homens tenhamos nos atido demais à nossa própria beligerância, ao nosso instinto primitivo. Aprendemos e aprimoramos primeiro a arte da guerra e da morte, antes de compreender o que é a arte da diplomacia e da aliança. Mas isto não significa que não sejamos capazes de realizar a paz. Digo-te apenas que, nestes tempos difíceis, tudo tem um preço - inclusive, a própria paz.

- Quer dizer que a paz tem um preço? - confunde-se o pupilo. - E qual é o preço da paz, Sensei?

Por fim, o Sensei responde: - A paz poderia ser dura como o aço da espada, se tivesse sido sempre reforjada pelos homens. No entanto, a espada é quem foi escolhida e reforjada, e é por isso, por quê a espada tornou-se mais forte e comum é que a paz é tão rara e tem seu preço, e este preço será pago com espada. Então, nunca se esqueça disso, meu filho, nunca se esqueça que o preço do homem pela sua paz será sempre a sua eterna vigilância.