quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Sobre a dor.

Tenho dor.
E o que não falta a mim são remédios.
Estes, sobram por aí, nas prateleiras das farmácias, nas mãos de especialistas e nas cabeças daqueles que se consideram entendidos.

Sinto dor.
E o que não falta no mundo é quem não a sinta.
E, a dor que sentimos é sempre, por mais que se procure e que se sonde, algo que ninguém sabe descrever exatamente como é.

Vivo a dor.
E quem nesta terra se diz imune à dor?
Por tudo que sei, e dos curtos anos que vivi, descobri que a dor é algo muito, MUITO pessoal.
Mas, como costumava citar alguém que considero muito sábio: "Às favas".

Dor sua? Ah, meu filho, é MUITO sua.

Viver as dores dos outros? Isso é balela. Não, não existe. Daquilo que é alheio ninguém sabe.

Egocentrismo? Vitimismo? Ok, com licença, desculpe-me.
Apenas desenhei a teia que me enreda, que me veda e que me limita.
Fundo dos fundos, eu sempre escolhi onde queria ser atingido.
E era na cabeça. No crânio. Na fonte.

Onde podem matar minhas idéias. Onde podem silenciar o que sou.

E, do alto do trono, onde julgamos ver tudo que nos interessa, algo acontece.
Algo vem, e nos bagunça.
O mundo vem a tremer, sacode, e nos surpreende.
Onde depositei o que me era mais sagrado?
Onde estarão as coisas que mais prezei? Onde estão aqueles em que confiei?

Quem começou calado, um dia terá de falar.
O momento da defesa chega. E o que você sabe sobre se defender?

Na verdade, QUEM É que sabe sobre isso?

Será que sabem os paranóicos, que vêem em cada sombra um motivo para se resignar?
Ou sabem os loucos, que julgam em cada pessoa uma visão daquilo que eles não o são?
Ou os agressivos, que degladiam-se por qualquer motivo, vivendo como animais?

E, mesmo se estes que soubessem, QUÊ ouvidos lhes seriam dados?

É incrível. Incrível é, como tecemos críticas sobre o que acontece conosco, e também a nossos pares e semelhantes. Mas como é difícil, muito difícil, nos definir claramente a partir de nossas opniões.

No entanto, apesar dos pesares, pagarei os meus respeitos aqui, àqueles que se fizeram sozinhos, por falta daquilo que o mundo os devia, e, mesmo assim, prosperaram, alavancaram-se acima das adversidades.

Parabéns.

E, como eu não creio em coincidências ou acasos...estejam certos, fiquem bem certos, estes.

A teia do destino afetará muito mais à vocês do que aos demais.

O chicote bate em todos. Mas acerta com mais força em quem se mexe mais.

sábado, 12 de dezembro de 2009

E há verdade.

Hoje é uma noite estranha. Provavelmente, não pra você, mas pra mim é. Faz uns 4 dias não saio de casa, por conta de um "acidente". Pra não dizer que não saí, sai hoje, fui assistir um ensaio da banda de uns amigos (amanhã eles tocam no Rio, e estarei lá também), e consegui fugir pra tomar umas três cervejas com um grande amigo meu.

Às vezes, três cervejas bastam pra você captar coisas que passam despercebidas o tempo todo. E mais três cervejas em casa bastam, pra você realizar reflexões que normalmente não faz. "In vino veritas est", disse algum sábio anônimo, em Roma. A verdade está no vinho, e isso se aplica tanto pra verdade que vai pra fora, como pra que vem dentro.

Fui fumar um cigarro na varanda, e deparei-me cantarolando "Ouro de Tolo", música de Raul Seixas. Desconcertante, como certos versos fazem sentido:

"Eu devia estar contente
Por ter conseguido
Tudo o que eu quis
Mas confesso abestalhado
Que eu estou decepcionado...

Porque foi tão fácil conseguir
E agora eu me pergunto 'e daí?'
Eu tenho uma porção
De coisas grandes prá conquistar
E eu não posso ficar aí parado..."

É isso mesmo. Galgamos vales, montes, horizontes impossíveis, conquistamos coisas boas e grandes, nos vemos no topo do mundo, cutucamos a inveja de nossos próximos...pra depois relaxar, achando que a vida tem sido boa demais pra nós, e nós bons demais pra ela, e fim. Como sou preguiçoso, Deus! E em seguida, o que acontece? Tudo perde o sentido. Me pergunto quem mais escutou esses versos cantados por Raul, desta forma, como ouço agora.

Vou dizer pra vocês, com sinceridade. Realmente, foi FÁCIL, MUITO FÁCIL, tudo que veio até mim, nesta vida. E que vocês reprimam sua cobiça, ciume ou inveja. Não tenho vergonha nenhuma de assumir este fato. É simplesmente como tem sido, apenas. Grato sou, a Deus e ao Universo que me rodeia. Mas claro, como tudo sempre, o que recebemos tem os seus revezes. E estes eu garanto que vocês não gostariam de ter.

Pensando agora com uma clareza que só o álcool desinibe, existem poucas coisas que me esforcei com tudo pra ter. Na verdade, de todas, UMA delas me dá real orgulho, que é ter aprendido a cantar. É uma coisa que aprendi sem orientação de ninguém e desenvolvi por mero prazer. Nunca decidi ser o melhor nisto, mas pelo menos consegui cantar como sempre quis, as coisas que sempre quis. Não existe segredo pra nada nesta vida, mas todo mundo faz de conta que certas coisas são inalcançaveis. Eu não faço. Não sou o melhor, e nem serei. E também, e pouco me importa.

Voltando à musica de Raul, algumas estrofes mais a frente:

"Eu que não me sento
No trono de um apartamento
Com a boca escancarada
Cheia de dentes
Esperando a morte chegar...

Porque longe das cercas
Embandeiradas
Que separam quintais
No cume calmo
Do meu olho que vê
Assenta a sombra sonora
De um disco voador..."

A música toda tem tudo de autobiográfico, pra quem conhece a história de vida desse artista fabuloso. E estes trechos acima guardam em si muito do ocultismo envolvendo as músicas do Raul, pra quem sabe o que está sendo dito. E tem muito do que é real, neste mundo e na vida de todos. A primeira estrofe define claramente a indignação com a indiferença e a inação de tantas pessoas nesse mundo. A falta de consciência. De informação. A sujeição das pessoas, a conformação com o que ocorre. A indiferença pura.

Minha mãe (que é contemporânea de Raul Seixas), esta semana, teceu uns comentários sobre a personalidade públicamente conhecida do cantor. Ele era, definitivamente, uma pessoa que conseguia tudo o que queria. Não se sujeitava, muito menos se adequava, a conceitos que não correspondessem aos seus próprios. Talvez, por isso, neste trecho, ele critique tão fortemente, quem se acomoda, se abanca em cima de seu tesouro e esquece do mundo.

Diz ele também que as pessoas adquiriram a tendência de se isolar em "cercas embandeiradas que separam quintais". Todos definiram seus territórios, suas zonas eternas de conforto. Idiotice. Podem ter conquistado tudo, ter conquistado o mundo, mas tornaram-se tão vivas quanto rochas; monolitos históricos tão sólidos quanto um Stonehenge humano. De que servirão estas pedras amanhã, se ninguém sabe pra que elas servem hoje?

Para aqueles que tem "um olho que vê", serão percebidas as mudanças. Aquele "disco voador" do novo, que vem pousando, se delineiando no horizonte, pra nos desafiar. Que está ali, pra conhecer e mudar um novo mundo, nosso mundo, enquanto nos recusamos a olhar, simplesmente pelo fato de que temos medo de modificar nosso pequeno e particular universo pessoal.

Que este novo ano nos traga mudanças. Mudanças estas tão cabais que ninguém seja capaz de negar.

E que isto seja pra você. E para mim também.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Perto

Hoje.
Sonhei com você.
Voei esses quilômetros pra estar contigo, de alma.
Incrível como uma coisa tão simples como dormir
Pôde nos aproximar tanto.
E talvez, tenha feito isso, só pelo prazer da aventura.
Só pra estar mais perto.
Só, apenas.
Acho que cheguei perto demais, dessa vez.

Teus cabelos e teus lábios ainda roçam minha mente.
Se esfregam devagar, relando em meus pensamentos.
Muito suave, simplesmente isso.

Sonhos são portas que abrimos e que não fecham mais.
Agora, o que quero é te encontrar denovo,
Outra vez,
Depois da próxima porta.

sábado, 11 de julho de 2009

Bem, vou postar aqui um texto que vi no perfil do orkut de uma amiga da faculdade.
É uma bela reflexão sobre a busca que todos empreendemos, procurando a "pessoa certa" pra nós.
E, claro, não podia ser melhor, escrito por Luis Fernando Veríssimo. =)


A Pessoa Errada

Pensando bem
Em tudo o que a gente vê e vivencia
E ouve e pensa
Não existe uma pessoa certa para nós.
Existe uma pessoa
Que se você for parar para pensar
É, na verdade, a pessoa errada.
Porque a pessoa certa
Faz tudo certinho
Chega na hora certa,
Fala as coisas certas,
Faz as coisas certas,
Mas nem sempre a gente tá precisando das coisas certas.
Aí é a hora de procurar a pessoa errada.
A pessoa errada te faz perder a cabeça
Fazer loucuras
Perder a hora
Morrer de amor
A pessoa errada vai ficar um dia sem te procurar
Que é para na hora que vocês se encontrarem
A entrega ser muito mais verdadeira...
A pessoa errada é, na verdade, aquilo que a gente chama de pessoa certa
Essa pessoa vai te fazer chorar
Mas uma hora depois vai estar enxugando suas lágrimas
Essa pessoa vai tirar seu sono
Mas vai te dar em troca uma noite de amor inesquecível
Essa pessoa talvez te magoe
E depois te enche de mimos pedindo seu perdão
Essa pessoa pode não estar 100% do tempo ao seu lado
Mas vai estar 100% da vida dela esperando você
Vai estar o tempo todo pensando em você.
A pessoa errada tem que aparecer para todo mundo
Porque a vida não é certa
Nada aqui é certo
O que é certo mesmo é que temos que viver
Cada momento
Cada segundo
Amando, sorrindo, chorando, emocionando, pensando, agindo,
querendo,conseguindo
E só assim.
É possível chegar àquele momento do dia
Em que a gente diz: "Graças à Deus deu tudo certo"
Quando na verdade
Tudo o que ele quer
É que a gente encontre a pessoa errada
Para que as coisas comecem a realmente funcionar direito para nós...

(Luis Fernando Veríssimo)

segunda-feira, 6 de julho de 2009

O preço da paz

O vento soprava forte no alto da colina. O jovem pupilo bloqueia um ataque em giro de seu mestre, com alguma hesitação. Percebendo sua falta de firmeza, o mestre rapidamente dá um passo adiante, empurrando-o com força, lâmina contra lâmina, e desequilibra seu aluno, que desaba de costas naquele solo, já parco de grama, devido aos treinos duros e diários sobre o topo do monte. Seu pupilo ergue-se rapidamente, embaraçado por ter se deixado cair tão fácil. No campo de batalha, tombar-se significa desvantagem evidente, e desvantagem significa morte.

O jovem limpa o suor do rosto com a manga do kimono. Depois ergue a espada com as duas mãos juntas ao ombro e retoma a posição de combate aprendida. Avança então, cautelosamente em direção ao mestre, que o espreita com os olhos fendidos, apertados, avaliando cada leve movimento. Os dois giram num circulo largo e invisível, como que engajados numa dança, uma dança de morte.

Enquanto escolhia o instante de seu ataque, o pupilo compreende o ardil de seu mentor: o sol poente, ainda a duas horas de ocultar-se no horizonte, fere sua visão, atordoando-o por uma mínima fração de segundo. A lâmina pára a exatos dois centímetros do cabelo do jovem, sobre a têmpora esquerda, num golpe preciso e que seria, indubitavelmente, fatal.

- Numa batalha, um guerreiro sábio deve escolher e preparar seu terreno de luta - suspira o mestre, batendo por fim a espada de lado na cabeça de seu aprendiz. O jovem solta um gemido, esfregando a pancada na cabeça. - E se eu não puder escolher nem preparar o terreno? - indaga o jovem. - Use o que estiver a sua mão - responde o velho homem, apontando os dois dedos para os olhos do aluno, que lembra do sol e entende a lição. Reverenciam-se, retomam as posições e o treino prossegue por mais um pouco, até o fim do crepúsculo.

Mais tarde, após a refeição noturna, o mestre convida o pupilo a caminhar um pouco pelo jardim de sua casa. Os dois caminham em silêncio por alguns minutos. Por fim, o jovem faz uma pergunta ao velho: - Sensei, perdoe minha ignorância, mas eu não consigo compreender. Não compreendo como homens que são capazes aprender a arte de forjar e reforjar uma espada meia centena de vezes, até que ela fique dura como a rocha e afiada como a garra do falcão, não sejam capazes de aprender a empreender a paz.

O mestre silencia seus movimentos, contemplando longamente seu discípulo e destilando a sabedoria contida em suas jovens palavras. Então diz: - Você tem toda a razão, meu filho. Talvez nós homens tenhamos nos atido demais à nossa própria beligerância, ao nosso instinto primitivo. Aprendemos e aprimoramos primeiro a arte da guerra e da morte, antes de compreender o que é a arte da diplomacia e da aliança. Mas isto não significa que não sejamos capazes de realizar a paz. Digo-te apenas que, nestes tempos difíceis, tudo tem um preço - inclusive, a própria paz.

- Quer dizer que a paz tem um preço? - confunde-se o pupilo. - E qual é o preço da paz, Sensei?

Por fim, o Sensei responde: - A paz poderia ser dura como o aço da espada, se tivesse sido sempre reforjada pelos homens. No entanto, a espada é quem foi escolhida e reforjada, e é por isso, por quê a espada tornou-se mais forte e comum é que a paz é tão rara e tem seu preço, e este preço será pago com espada. Então, nunca se esqueça disso, meu filho, nunca se esqueça que o preço do homem pela sua paz será sempre a sua eterna vigilância.

terça-feira, 24 de março de 2009

Jet - You Gonna Be My Girl

Go!!

So 1, 2, 3, take my hand and come with me
because you look so fine
and i really wanna make you mine.

I say you look so fine
that I really wanna make you mine.

Oh, 4,5,6 c'mon and get your kicks
now you dont need that money
when you look like that, do ya honey.

Big black boots,
long brown hair,
she's so sweet
with her get back stare.

Well I could see,
you home with me,
but you were with another man, yeah!
I know we,
ain't got much to say,
before I let you get away, yeah!
I said, are you gonna be my girl?

Well, so 1,2,3, take my hand and come with me
because you look so fine
and i really wanna make you mine.

I say you look so fine
that I really wanna make you mine.

Oh, 4,5,6 c'mon and get your kicks
now you dont need that money
with a face like that, do ya.

Big black boots,
long brown hair,
she's so sweet
with her jet back stare.

Well I could see,
you home with me,
but you were with another man, yeah!
I know we,
ain't got much to say,
before I let you get away, yeah!
I said, are you gonna be my girl?

Oh yea. Oh yea. C'mon!
I could see,
you home with me,
but you were with another man, yeah!
I know we,
ain't got much to say,
before I let you get away, yeah!
Uh, be my girl.
Be my girl.
Are you gonna be my girl?! Yeah!







E pensem o que quiserem.

quinta-feira, 19 de março de 2009

TV 01

...e naquele instante, muda o canal novamente, e passa por um filme qualquer, desses aí, que estão sempre na madrugada, a entreter os notívagos. A moça senta-se meio que sem jeito ao lado do rapaz, e os dois estão numa dessas festas americanas. Alheios ao que se passa a sua volta, parecem se concentrar nas melhores palavras pra dizer um ao outro, mas nada do que tentam falar os traduz completamente. Observa então demoradamente aqueles dois, ignorando fatalmente o diálogo, mas imprimindo de maneira indelével em seu córtex os resultados de suas reações faciais, conjugadas. Aquele sorriso meio contido, quase sequestrado, mordendo os lábios e tentando não mostrar-se tola, o variar dos olhos com um brilho de neon...o retorno da atenção, com a pitada de mel, ainda doce na boca, da tímida proposta hesitante feita por ela, mas já certa nos olhos dele...ahhh...

...isso me volta a coisas boas.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Bjomeliga

Cara do blog, Loading...5%.

Enquanto isso, uma breve pausa para o Amor.

[Pausa para o Amor]

Já amou? Ótimo, agora de volta pra realidade.

Esta história é inspirada numa real, e teve alguns fatos melhorados e outros piorados por mim, pra ficar mais engraçada.

Eles se conheceram há bem quase uns três anos. Sabe como é né, num desses "acasos sem acaso". Ele ia chegar na amiga, mas ela se mostrou mais interessada. Magnifique.

Lá pra cá, cá pra lá. Ela era linda. Tinha aquele brilho nos olhos, que todo homem sabe reconhecer, e que, mesmo se ela não fosse tão linda, ele já encontraria-se meramente apaixonado. Eee, droga. A gente nunca entende como nossos pais se conheceram, conseguiram se apaixonar, foram capazes de casar e tiveram a audácia de nos gerar. Mas lá está ele, pensando brevemente nestas mesmíssimas coisas. Ela sempre sorrindo, perfeita, noite linda, tudo lindo.

Mas claro, pé no chão, fio. Ele compreende as variáveis que movem o mundo do amor. Distância, amigos, família, faculdade, trabalho, dinheiro, presentes, sexo, um cineminha de vez em quando. E essa conta dava saldo negativo. Como um bom marinheiro, já sabia que não devia atracar o seu barquinho ali, nessa baía. Mas, será que não rolava nem um pulinho na água e dar umas braçadas, só pra se refrescar?
Ai, esses apaixonados.

Não termina bem. No segundo dia, ela dês-deslumbra o bucéfalo, falando que "não dá", diz que é "alguma coisa dela mesma", e "não é nada com você, AMIGO".

"Amigo". Ótimo. Homem que diz "amiga" é viado, mas mulher dizer "AMIGO" é o fim. H-2 acertou, mas H-3 foi ÁGUAAA. Era um submarino, e esse já afundou. Tá bom, tá bom, não é a primeira vez, foda-se. E afinal, as coisas às vezes são assim mesmo, que nem Bee Gees, "One Night Only". Bora pra casa, fazer uma breve sessãozinha de acunpuntura cardíaca, pra tratar seu coração valente de Mel Gibson.
Quem nunca se apaixonou à primeira vista?

Depois disso, tudo fica bem e passam-se dois meses. Reencontram-se num show. Evento único, coisa de louco. Váááários amigos e conhecidos em comum. Parecia até que tudo era armação, puta-que-o-pariu. Depois da fila, e descendo a rampa pro lugar do show, ela pega na mão dele e não larga mais. "Mas o que será que essa filha-da-puta está querendo fazer?", imagina ele, enquanto tem convulsões. O show rola, um espetáculo. Ela fica na frente dele, encostada, aninhada. Mão na mão, ele abraça. Na terceira música, eles ficam. Coração à mil, bebendo litros de oxigênio por minuto. Puta merda.

Voltam juntos pra casa, com os amigos dela. Dia seguinte, quando se vêem, o frio vento do inverno de junho bate nos juncos: ela mantém seeeempre um metro e meio de distância dele, medido milimetricamente, e constante. "MÁQUÊQUÊISSOCARALEO??? Ontem era só ternura, e hoje eu tenho Lepra??!?", reflete ele, com a serenidade de um monge zen.

Desta vez, ele não espera uma explicação: resolve ignorá-la solenemente agora e para todo sempre e pro resto da eternidade, até o fim dos dias, se for sexta-feira e estiver chovendo. Tem horas que a vida parece um daqueles programas de "Pegadinha do Malandro", ou então um "Topa Tudo Por Dinheiro", mas sem Lombarde, nem Sílvio, nem aviõezinhos de 100 reais. Mas não com ele. Com ele não, rá.

Passam-se vários meses. Reencontro. "Opa opa! Hoje não, nem quero saber! Hoje eu vou me divertir", reza ele, e parte pra cruzada, quer dizer, cachaçada. O evento foi bem movimentado, divertido, tuuuudo ótimo no primeiro dia. Já no segundo dia...e já naquele estado sagrado, que emite aquela aura dourada que todos os embriagados emanam, e que faz com que coisas boas(?!?) aconteçam com a gente, e que nos faz fazer coisas ruins(!?!)...eles se topam. E fláááááá, ela ataca novamente, não tira os olhos dos dele, quando fala. Lindos olhos, with lasers. Como dizem por aí, "de bêbado não tem dono" e dá um mata-leão nele com presteza. Haha. Dia seguinte, saldo: ele, de ressaca e com gosto de quero mais; ela, foi viajar com a família...e nem deu tchau direito.

Bom, era pra acabar aí, né? Masss...TCHAM TCHAM!! Ainda tem uma última. Passa o tempo de mais de um ano. Nada de reencontros, nem de tentativas. Ele, mais maduro. Tudo superado. Viveu outras experiências, algumas boas, outras não... e, na verdade, agora, solteiríssimo denovo. Ela namorou um, depois outro (e claro, ele acabava sabendo), mas também, nada que durasse (e vocês ainda tinham dúvidas ?).

Reencontro. Mesmo bat-lugar, mesma bat-situação conhecida. Ele já sabia das possibilidades, mas ignorava o fato. "Afinal, já morreu tudo isso, acabou o frisson", refletia ele, como um espelho de gelo. Ela o abraça de forma empolgada, por se reencontrarem. Conversam animadamente. Apesar disso, ele realmente já não se importava mais. "Já passou, bobeira. Mas ela continua linda. Linda, e que boca é essa. Não para de falar, de me olhar e me pegar". Ele sente o clima, mas se retraí e não faz nada. Na hora de se despedir, um abraço propositalmente mais longo dela. Um cruzar de olhares. Ele diz alguma coisa e dá um beijo. Um beijo simples e só, nada melado. Um beijo daqueles de amigos. Eles se despedem e se afastam, aquela coisa do braço se esticar o máximo que puder, pra mãos continuarem se tocando.

Dia seguinte, mensagem dela no celular dele: "Legal te encontrar denovo... =)". Putz. "E essa agora? Mas já faz tanto tempo, ela sempre dá pra trás e manda isso?", observou ele, estrangulando delicadamente seu telefone. Por fim, conseguiu reunir algum ânimo e, por alguma curiosidade mórbida (e quem sabe, um pouquinho de vontade que desta vez desse certo, haha), resolveu responder. Mensagem vai, mensagem vem, marcam de se encontrar. E lá vai ele, marchando, parecia a batalha do século.

Casa dela, ela vem mancando recebê-lo. Disse que foi ajudar a mãe mais cedo, a "tirar alguma coisa do carro e torceu feeeio o tornozelo". Tadinha. Pfffff. A conversa segue aos trancos e barrancos, entrecortada por vários e marcantes "Ai, que dor, ai que dor". Ele, obviamente cansado, observa a distância entre os dois (um metro e meio, lembra?), aproveita outro gemido de dor dela e faz um teste decisivo: aproximação abrupta, proposta de fazer uma massagem carinhosa na região afetada, visando tocá-la (obviamente) e ajudá-la a aliviar sua aflição. O "teste do toque" sempre diz o que desejamos saber das mulheres. Resultado: A oferta de auxílio foi indeferida de forma solene e peremptória.

A partir daí, vocês já devem imaginar. Bom, pelo menos desta vez ele não vai precisar de acunpuntura.

Ah, sim. Mas, e afinal, a que conclusão chegamos nós, após esta breve e romântica epopéia, digna de um Shakespeare Apaixonado? A qual conclusão e que resposta o mocinho encontra, após tantas idas e vindas desta mulher indecisamente perturbada?

"Hummmmmmmm...mas, ora bolas"

"Mas é claro. Tão claro! Como não pensei nisso antes??"

Ele se lança em direção à internet, à procura de auxílio especializado. Google.

"Vamos ver, vamos usar o que já temos...inteligente, comunicativa, interessada...extremamente indecisa"

Digita, procura, digita, outro link...

"...Opa...Achei algo...!"

"Aqui diz que...'Os nativos do signo de GÊMEOS são...'"



[Resolvi dedicar este Post à entrada na Era de Aquário. Haha!]

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Nova temporada de caça

Vamos combinar que acabou a amizade, agora é só prazer.

Eu e minha boca grande.

Me beije, lamba, cuspa, morda, xingue, me amaldiçoa, rá. Eu reescrevo, eu redijo. mas vai ficar aqui pra você ler mesmo, então foda-te, ah, vê se tô na esquina.
Cacete. Adoro a letra T.
Eu esfrego a minha cabeça, espremo o couro cabeludo e as coisas saem dos meus ouvidos. Escoam pelos poros do meu nariz. Imenso, meu nariz imenso. Meleca.
E, no fundo, eu adoro tudo isso, por que é como estar aqui, aqui mesmo sentado, no seu colo e pensando essas coisas primaveris, cheirosas, de revistas de decoração, vendidas nas lojinhas de conveniência. Mas está um calor do caralho, e eu virei um porco. Purulento. Pururuca.
Hum, bom.
Fréim, Frim, Fróim, ah, eu realmente adoro Van Halen.
Passo minha língua na ponta dos dentes e sinto o sebo. Sabor adstringente. Aula de química. Já comeu sua banana verde hoje? Quero um desjejum.
Não vou escovar a boca.

Eu e minha boca grande.

Você não curte porra nenhuma. Não se faça de idiota, não precisa, você já É.
Mastigo as bochechas por dentro, isso dá prazer. Olá, muito prazer, eu mastigo minhas bochechas, e você, faz o quê?
Cara, eu odeio você, você é o cara mais seco de todo o mundo. Não nasceu com o rei na barriga, ele entalou no seu esôfago, quando tentava se abortar de você.
Pode existir, fica à vontade, mas não sente do meu lado. Vou te ignorar.
Unhas cortadas. Um raro prazer. Eu costumava te arranhar de leve, só pra sentir o sussurro da minha carne na tua pele. Era bom. Era ótimo. E você?
Meu braço, espirrei. De onde saiu isso? Droga, está branco, não era pra estar. Na na na na na na. Sammy Hagar, tu és o cara.
Eu monto meu palco onde eu quiser.
Há uma intenção. Eu sempre quero, mas não dá pra fazer sozinho.
Eu falo, as pessoas aplaudem, eu canto, elas aplaudem. Monto meu palco onde eu quiser.

Eu e minha boca grande.

É, é assim. Acho que o idioma é esse. Não vou ficar treinando uma coisa que já estou cansado de saber, agora é só por prazer. Prazer é a chave, a base. Não nasci pra brigar. Necessidade, prazer e consciência, eu disse, a base de toda a criação. Se for importante pra você, enfie no seu cú, então. O lugar mais seguro. Você não dá seu rabo nem pra sua mãe, que limpou ele. Gira a barra de rolagem. Gira. Ah, enfia ela também.
Haha, não sei como isso pode ser proibido. É divertido. Imagina quantos livros pornográficos não queimaram na biblioteca de Alexandria. Olha pra trás, coça. Os padres são todos uns safados, bando de merdas.
É tão fácil se desesperar. Eu perdi a fé nos amantes. Só tem maluco hoje no mundo. É a crise, é a crise, se prepare, ela vai chegar na sua casa. Na sua ca-sannnnnnn. Lombarde! Na casa de quem? Na-su-annnnnnn.
No matter what I say or do. I know what got to do. I can't stop loving you. Maldito careca, me cortou com a loura ontem. Ha ha. As pessoas agridem, elas aplaudem, eu agrido, eu me aplaco, muita palavra, pouca ação. Isso não é um filme de Bruce Lee.
Merda, digo. Eu falo merda.

Eu e minha boca grande.

Tum pá, tum pá, tum pá tum pá tum pá.
Lá vem ele denovo. Off.
Só eu que energizo a coisa.
Eu faria melhor no lugar dele. Ah, e com força. Putz.
E ela quer mais, muito mais.
Tomara, hehe.
Pra alguma coisa isso vai prestar, ah, vai. Vai-te-a-merda.
Meu punho está doendo, porraaaaaa. Soquei com força aquele ônibus. Cara, isso é bom. Entendo, entenda, entende? Autoflagelação, a raíz de todas as soluções. Me sinto menos culpado agora. Aleluia, Jesus. Não gosto de ler essas coisas, só escrever.
Vou imprimir meu cérebro numa parede, filha-da-puta, miserável, será em você agora. Páre de usar essa napa pras coisas erradas, vai respirar terra e fazer fotossíntese, projeto de grama.
Não, não, você não merece fé, merece uma fodida bem dada, só isso. É assim que é a base do mundo, um comendo o outro, todo mundo se comendo, eu começo onde você termina, tá bom gata? Ah, é o máximo. É, realmente eu me diverti demais. Aliás, ainda me. Me. Divirto. Ainda. Me. Divirto. Irto. To. O. ..
Desconstrói essa porra, e chupa que é de uva. Vou comer. Não, tô enjoado. Só vomitando. Nada, tô bem, quem não gosta de um drama. Isso é uma catarse. Você fala com os olhos, me chama pra beijar, mas me olha com tua boca, peidando. Sua branca.
Mas é só isso. Cansei. Vou beber, vou levar comigo. Eu.

Eu e minha boca grande.